A infraestrutura de recarga para veículos elétricos segue avançando em ritmo acelerado no Brasil. Dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e pela plataforma de mobilidade elétrica Tupi mostram que o país atingiu a marca de 25.455 pontos públicos e semipúblicos de recarga em maio de 2026.
O número representa um crescimento de 20,9% em relação ao levantamento anterior, realizado em fevereiro deste ano, quando a rede nacional contabilizava 21.060 pontos. A expansão reforça o avanço da eletromobilidade no país e acompanha o aumento da frota de veículos eletrificados em circulação.
Mais do que o crescimento da infraestrutura, os dados revelam uma mudança importante no perfil da rede. Os carregadores rápidos seguem ganhando espaço e ampliando sua participação no total de equipamentos disponíveis, refletindo a busca por maior conveniência e redução do tempo de recarga.
Recarga rápida lidera expansão
Dos 25.455 pontos de recarga existentes no Brasil, 16.836 são do tipo AC, voltados para recarga lenta, enquanto 8.606 utilizam tecnologia DC, destinada à recarga rápida.
Embora os carregadores lentos ainda representem a maior parcela da infraestrutura nacional, com 66% do total, os equipamentos rápidos foram os que registraram o maior ritmo de crescimento nos últimos três meses.
Entre fevereiro e maio de 2026, a quantidade de carregadores rápidos saltou de 6.479 para 8.606 unidades, avanço de 32,8%. No mesmo período, os carregadores lentos cresceram 15,5%, passando de 14.582 para 16.836 pontos.
Com isso, a participação dos carregadores rápidos na rede nacional aumentou de 30,8% para 33,8%.
Segundo a ABVE e a Tupi, a expansão é impulsionada pela chegada de uma nova geração de equipamentos ultrarrápidos, capazes de operar com potências de até 480 kW e atender múltiplos veículos simultaneamente.
“Dois movimentos definem este trimestre. Os carregadores lentos (AC), que vinham em baixa, reagiram e a regulamentação de São Paulo, garantindo recarga em condomínios, tem papel direto nisso. E o crescimento dos Carregadores Rápidos (DC) começa a ser puxado por uma nova geração de carregadores ultra rápidos com potências que hoje chegam a 480kW e muitas vezes com quatro a dez posições de recarga. O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala — estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país”, afirma Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE.
Condomínios ajudam a impulsionar recarga lenta
Um dos destaques do levantamento é a recuperação do crescimento dos carregadores AC. No estudo anterior, a expansão desse tipo de equipamento vinha desacelerando, mas voltou a ganhar força nos últimos meses.
Segundo as entidades, a mudança coincide com a entrada em vigor da Lei 18.403/2026, sancionada em São Paulo, que assegura aos moradores o direito de instalar carregadores em vagas privativas de condomínios.
A medida remove uma das principais barreiras históricas para a adoção da recarga residencial e semipública, ampliando as possibilidades de eletrificação em áreas urbanas densamente ocupadas.
Norte lidera crescimento da infraestrutura
A expansão da rede ocorreu em todas as regiões brasileiras, mas em velocidades diferentes. O Norte registrou o maior avanço proporcional do país, com crescimento de 31,1% no total de pontos de recarga.
A região também liderou a expansão dos carregadores rápidos, que avançaram 51% em apenas três meses, passando de 312 para 471 unidades.
Na sequência aparecem Centro-Oeste e Sul, que registraram crescimento total de 23,7% e 23,4%, respectivamente. Ambas as regiões também apresentaram forte expansão da infraestrutura rápida, com altas de 36,3% e 35,8%.
O Nordeste ampliou sua rede em 20,5%, enquanto o Sudeste cresceu 18,1%. Apesar do ritmo mais moderado, a região segue concentrando o maior volume absoluto de carregadores do país, com 11.079 pontos instalados.
Os dados indicam que a expansão da infraestrutura está avançando para além dos grandes centros urbanos, acompanhando o desenvolvimento de corredores rodoviários, polos logísticos e cidades de médio porte.
Mais municípios entram no mapa da eletromobilidade
O levantamento mostra ainda que a rede de recarga está se espalhando por um número cada vez maior de cidades brasileiras.
Atualmente, 1.832 municípios contam com algum tipo de infraestrutura de recarga, contra 1.649 registrados em fevereiro. O avanço de 11,1% demonstra que a eletromobilidade está deixando de ser um fenômeno concentrado nas capitais para alcançar novas regiões do país.
O Centro-Oeste apresentou o maior crescimento proporcional no número de municípios atendidos, com alta de 21,7%. O Nordeste aparece na sequência, com expansão de 10,2%.
Para o setor, a ampliação da cobertura geográfica representa um passo importante para reduzir uma das principais preocupações dos consumidores interessados em veículos elétricos: a disponibilidade de pontos de recarga fora dos grandes centros.