Os veículos elétricos e híbridos das marcas chinesas BYD e GWM registraram o maior retorno sobre investimento (ROI) entre os seminovos negociados no Brasil em junho. É o que aponta o Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado com base em dados transacionais da plataforma Auto Avaliar.

Segundo o levantamento, os modelos eletrificados das duas montadoras alcançaram ROI médio de 129%, índice bem acima da média geral de 73%, considerando todas as fabricantes e categorias avaliadas. O resultado acompanha um cenário de alta rotatividade no mercado de usados e seminovos, que apresentou giro médio de estoque de 36 dias no período analisado.

Para a MegaDealer, o desempenho reforça uma mudança no perfil do consumidor, que passou a demonstrar maior interesse por veículos eletrificados também no mercado de segunda mão.

“Esse comportamento demonstra que a boa demanda por novas tecnologias é grande também em seminovos. E isso não deve ser descartado pelas revendedoras, pois a tendência é de consolidação dessa aceitação maior entre os consumidores, o que, como consequência, posiciona positivamente os elétricos usados frente ao 0km em termos de rentabilidade“, afirma Fábio Braga, Country manager da Megadealer.

O estudo mostra que o tíquete médio dos veículos usados negociados em junho chegou a R$ 89.871. Apesar do bom ritmo de vendas, a margem bruta das concessionárias caiu de 10,3% para 10,1%, enquanto a margem média em valores absolutos ficou em R$ 9.103, a menor registrada nos últimos meses.

Segundo Braga, o cenário reflete uma estratégia das revendas para acelerar a comercialização dos estoques, mesmo com redução da rentabilidade por veículo.

“As concessionárias têm conseguido um giro mais rápido, sacrificando um pouco a margem”, complementa Braga.

O movimento acompanha o desempenho do mercado nacional de usados e seminovos. Dados da Fenauto apontam que, no primeiro semestre de 2026, foram comercializadas mais de 9 milhões de unidades, resultado 8,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Na avaliação de J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar, o mercado brasileiro entrou em uma nova fase da disputa entre montadoras asiáticas.

Segundo ele, o avanço das fabricantes chinesas deixou de representar apenas um desafio às marcas tradicionais e passou a configurar uma concorrência direta entre empresas do próprio país asiático. “Mais de 20 marcas asiáticas desembarcaram no Brasil. Tomaram um share de mercado que nenhum analista projetava em tão pouco tempo. A guerra de foice agora é entre os próprios chineses, disputando palmo a palmo o asfalto brasileiro”, diz.

Caporal afirma que também houve uma mudança na estratégia comercial dessas fabricantes. Em vez de concentrar a oferta em veículos eletrificados de maior valor agregado, o foco passou a incluir modelos de maior volume, como carros urbanos de entrada e SUVs compactos.

“A dinâmica de importação atual não é marketing. É um choque brutal de oferta desenhado sob medida para esmagar margens alheias e comprar território rápido. No início da ofensiva asiática, o discurso focava em tecnologia, telas digitais enormes e eletrificação premium. Tentavam provar status. Agora o produto é o carro urbano de entrada e o SUV compacto. O volume puro e pesado. A demanda nesse segmento é extremamente elástica. Baixou o preço, a venda acontece na concessionária”, completa.

Além do desempenho por fabricantes, o PVU também avaliou a rentabilidade dos modelos seminovos negociados em junho.

O Peugeot 208 ficou na primeira posição do ranking, com preço médio de R$ 73 mil, margem bruta de 12% e giro médio de estoque de 29 dias.

Na sequência aparece o Toyota Yaris Sedan, com preço médio de R$ 94 mil, margem de 10,8% e tempo médio de estoque de 36 dias.

O terceiro lugar foi ocupado pelo Hyundai HB20, que registrou preço médio de R$ 72 mil, margem bruta de 11,7% e giro médio de 40 dias.

O Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados reúne informações de 3.089 concessionárias de 22 marcas conectadas à plataforma Auto Avaliar, que atualmente atende 4.200 concessionárias e mais de 38 mil lojas independentes em sete países.

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