A chegada de Rubens Barrichello na Future Mobility 2026 é prenunciada com o pipocar de Flashes de câmera e uma luta ferrenha pelos escassos assentos remanescentes disponíveis. O piloto contou sobre sua trajetória de vida e contou detalhes de uma jornada de mais de 20 anos para colher os frutos de seu reconhecido sucesso.
Ele começou dividindo com a plateia os mandamentos de seu pai: “Estudar e Dormir”, o qual ele deveria seguir fielmente durante sua vida inteira, desde seu crescimento na região de Interlagos, em São Paulo capital, e palco das corridas de carros. E essa não é a única vez que sua vida cruzou os motores antes de se tornar piloto profissional.
Na infância, Rubinho não sabia que o presente de seu avô, que ganhou aos 6 anos de idade, seria responsável por uma virada de chave que daria partida à sua vida de corredor seria um Kart. Haviam lhe contado que era um passarinho, mas, evidentemente, não era.
Era um kart, que ele brincou, brincou, experimentou até não conseguir mais, atingindo a máxima de completar o circuito sem tirar o pé do acelerador uma vez, sempre se mantendo na máxima velocidade. O próximo desafio agora era quebrar o limite do kart, dos jeitos que pudesse, e com os recursos à sua disposição. Barrichello juntou dinheiro para melhorar seu equipamento quando possível, e quando não era possível, “ia na marra mesmo assim, correndo contra os outros garotos com estepe na chuva enquanto enfrentava o toró com as rodas normais e… fé.”
“Não importa a sua crença no quesito de religião, você tem que ter fé. Fé não no sentido religioso, no sentido de enxergar as possibilidades e estar aberto aos ventos de mudança. Eu creio que não existe sorte ou azar, tem o engajamento com o que você quer enxergar”, diz ele.
A certeza da necessidade de acreditar fica claro em suas experiências na Fórmula 0, no qual depois de gastar suas economias com o carro para a corrida, surgiu a oportunidade dourada em 88. Foi ali que a Ford desejou pagá-lo para colocar o seu carro em exposição, mas o caminhão que estava o transportando deixou a parte de trás aberta e o carro foi perdido no meio da estrada. Seria o fim, se não fosse a última cláusula, de que na perda do veículo, estaria Rubens então sujeito a receber um carro novo, providenciado pela Ford.
O padrão se repetiu em sua primeira vitória na Fórmula 1, que começou ironicamente, com o piloto sofrendo com um carro com o motor quebrado. Rubinho foi forçado a ir com o veículo reserva, com um volume menor de combustível, na esperança que o peso ausente no tanque lhe garantisse a velocidade para chegar em quinto lugar.
“Foi então que começou a chover na pista. Na época, as convenções permitiam que cada equipe trouxesse apenas um tipo de estepe, nenhum qualificado apropriadamente para finalizar o trajeto na chuva”, revela ele. Exceto Barrichello, que também não tinha os pneus corretos, mas que desde os 7 anos de idade, de suas primeiras corridas de kart, tinha aprendido a andar na chuva, sem o equipamento correto, sem tirar o pé do acelerador.
Esse paralelo, segundo ele, é o mesmo com as ocorrências vivenciadas nos dias de hoje, onde todos esses elementos separados se reúnem para criar a tempestade perfeita para propulsionar as novas tecnologias da mobilidade sustentável. “Tem coisas que estão sendo descobertas agora que talvez a gente só venha a entender a utilidade daqui a 20 anos.”
Um exemplo citado por ele são os carros e bicicletas elétricas, que tiveram seus primeiros protótipos em 1832, porém a soma de todas as condições necessárias para a sua implementação em larga escala é agora. Com o ecossistema montado, os veículos, as ferramentas, os fornecedores e a vontade de fazer acontecer.
Dentro de seu universo, a Fórmula 1 também mudou. Os motores híbridos não permitem o mesmo tato que antes garantiu a vitória, mas propicia novas oportunidades de estratégias. Barrichelo, embora sinta falta do som dos carros, admite que “estamos num momento de readaptação de vida, onde nós não podemos mais ter esse bloqueio do futuro, não usamos mais a ‘roda quadrada’, agora temos os círculos, as carroças, o motor… está na hora de olhar para a evolução tecnológica e aproveitar tudo.”