O mercado brasileiro de carros e comerciais leves mantém em 2026 um ritmo de crescimento bem acima do observado no início do ano. Até julho, foram 265.148 unidades emplacadas somente naquele mês, alta de 2,1% sobre junho e de 15,6% na comparação com julho de 2025. No acumulado do ano, o avanço chega a 19,03%, segundo dados da K.LUME Consultoria.

Os números foram divulgados pela Autoesporte, em reportagem baseada no fechamento de emplacamentos da K.LUME Consultoria. O resultado de julho representa o sétimo mês consecutivo de crescimento na comparação anual. Depois de um começo praticamente estável, com altas de 1,3% em janeiro e 1,4% em fevereiro, o mercado acelerou a partir de março, quando registrou expansão de 39,8%.

Na sequência, abril teve alta de 20%, maio avançou 22,7% e junho registrou crescimento de 28,4%. Embora julho tenha mostrado uma desaceleração em relação aos meses anteriores, o resultado ainda ficou em um patamar elevado, com crescimento de 15,6% sobre o mesmo mês do ano passado.

A evolução do mercado não ocorre de maneira uniforme entre os diferentes segmentos. No acumulado até julho, os carros de passeio cresceram 22,51%, enquanto os comerciais leves avançaram 6,78%.

A diferença mostra que os automóveis de passeio concentram boa parte da expansão registrada em 2026. Nos comerciais leves, fevereiro foi o único mês com queda na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto os demais meses apresentaram resultados positivos.

Outro indicador reforça o ritmo de atividade do setor. Considerando a média diária pelos critérios financeiros, o mercado alcançou 11.163 unidades por dia até julho, ante 9.411 unidades no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 18,62%, próximo dos 19,03% registrados no acumulado geral.

A divisão dos emplacamentos por canal também mostra um mercado bastante equilibrado. Entre janeiro e julho, as vendas diretas responderam por 50,15% do total, enquanto o varejo ficou com 49,85%.

O varejo segue recebendo estímulos, entre eles o Programa Carro Sustentável (IPI Verde), enquanto as vendas diretas mantêm praticamente metade dos emplacamentos. A proximidade entre os dois canais coloca a disputa pela expansão do mercado como um dos pontos a acompanhar ao longo do ano.

É entre os fabricantes chineses, porém, que aparece uma das diferenças mais acentuadas em relação ao comportamento geral do mercado. No acumulado até julho, os veículos chineses somaram 284.878 unidades considerando carros e comerciais leves. O volume representa crescimento de 146,67% sobre o mesmo período de 2025.

A expansão é muito superior à registrada pelo mercado como um todo, que cresceu 19,03% no mesmo intervalo.

Dos emplacamentos de veículos chineses, 98,15% correspondem a modelos de passeio. O dado mostra que os automóveis concentram praticamente todo o avanço das fabricantes chinesas no país.

A diferença entre os índices também ajuda a dimensionar a mudança na composição do mercado. Enquanto o conjunto de marcas cresceu 19,03%, os fabricantes chineses avançaram 146,67%. Com esse ritmo, marcas como BYD, GWM e Caoa Chery ampliam sua presença em um mercado que também vem crescendo em volume.

O movimento pode ser observado tanto pelo avanço das vendas quanto pela evolução da participação dessas fabricantes. A distribuição regional dos emplacamentos, os canais utilizados e as diferentes tecnologias presentes nos modelos chineses também passam a fazer parte dessa transformação do mercado brasileiro.

Enquanto as marcas chinesas avançam em ritmo acelerado, o grupo das cinco maiores fabricantes apresenta uma evolução mais moderada.

No acumulado até julho, as cinco principais marcas passaram de 873.672 para 989.393 unidades, alta de 13,25%. Embora o resultado seja positivo, ele ficou 5,78 pontos percentuais abaixo do crescimento de 19,03% registrado pelo mercado total.

A diferença indica que as maiores marcas continuam aumentando seus volumes, mas não acompanham a velocidade de expansão do mercado brasileiro. O desempenho da BYD e a queda da Toyota aparecem entre os fatores que ajudam a explicar essa movimentação.

Com isso, uma parcela maior do crescimento está sendo distribuída entre outras fabricantes, reduzindo a concentração tradicional observada entre as marcas líderes.

Os números dos sete primeiros meses mostram, assim, duas movimentações simultâneas. De um lado, o mercado de carros e comerciais leves mantém crescimento consistente, inclusive quando analisado pela média diária de emplacamentos. De outro, a composição desse mercado começa a mudar, com carros de passeio avançando mais que comerciais leves, canais de venda praticamente empatados e fabricantes chineses crescendo muito acima da média geral.

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