Glaucia Roveri, gerente de Infraestrutura de Recarga da General Motors, e Arthur Carrão, CEO da Recharge, empresa especializada na implantação de infraestrutura para recarga de veículos elétricos de grande porte, debateram os avanços e os desafios da expansão da infraestrutura de recarga no Brasil durante a Future Mobility 2026. Os executivos compartilharam experiências sobre a evolução do setor e os obstáculos que ainda precisam ser superados para acompanhar o crescimento da eletrificação.

Os dois executivos relataram que o mercado passou por um período inicial de crescimento lento antes de acelerar significativamente nos últimos anos. “Antes nós contávamos o crescimento de pontos de recarga no dedo, hoje nós temos mais de 25 mil”, afirmou Glaucia Roveri, destacando a expansão da infraestrutura disponível no país.

Apesar da evolução, Carrão ressaltou que ainda existem gargalos importantes. Segundo ele, muitas soluções disponíveis no mercado não conversam entre si, dificultando a padronização da infraestrutura. Foi justamente essa lacuna que motivou a criação da Recharge, voltada ao desenvolvimento de projetos para caminhões e outros veículos elétricos de grande porte. Diferentemente dos automóveis leves, esses modelos exigem equipamentos, potência elétrica e planejamento específicos, o que demanda que a infraestrutura seja concebida desde o início para esse tipo de operação.

Roveri destacou que a sustentabilidade possui significados diferentes para cada público. Para o consumidor, a prioridade é uma experiência de recarga simples, com equipamentos disponíveis, meios de pagamento eficientes e operação confiável. Já para investidores e empresas, fatores como previsibilidade de demanda, conformidade regulatória, ocupação das estações e eficiência operacional são determinantes para garantir a viabilidade econômica dos projetos.

Na avaliação de Carrão, o Brasil ainda está nos primeiros estágios da eletrificação quando comparado aos mercados dos Estados Unidos e da Europa. Apesar das diferenças entre esses países, ele acredita que muitas tendências observadas no exterior também devem se consolidar no mercado brasileiro ao longo dos próximos anos.

Ao final do debate, os executivos concordaram que a expansão da infraestrutura de recarga precisa ser acompanhada por padrões técnicos, planejamento e qualidade. Para eles, a busca por soluções de menor custo não pode comprometer a confiabilidade dos equipamentos nem gerar despesas maiores no futuro. Antes de ampliar a rede de recarga pelo país, é fundamental garantir que as bases da operação sejam eficientes, seguras e sustentáveis.

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